Barxaréu

terça-feira, 22, julho 2008

Alguma coisa mudou. Minto. Muita coisa mudou. As mesas não têm mais nomes, as paredes não têm mais tijolinhos, no balcão não há mais acepipes. Muito do antigo clima ainda está lá, é verdade. Os garçons continuam simpáticos, a cerveja continua geladíssima e a esquina sempre será movimentada. Mas o que eu procurava dessa vez já se foi há algum tempo. Não sei se foi na última reforma, há uns dois anos, ou na anterior, mas o bar mudou um bocado, e nesse reforma-aqui-mexe-ali parece que esqueceram de alguns detalhes, pequenos, é verdade, coisa de biriteiro, diria o outro, mas que fazem a diferença.

Claro que nada disso é motivo pra deixar de ir no lugar, não me interpretem mal. Só digo que ele provavelmente não dará as caras por aqui por um tempo, mas podem apostar que, em breve, eu dou as caras lá de novo.

Lírico

terça-feira, 22, julho 2008

Fechado. Já há três anos que em seu lugar funciona outro restaurante, cujo nome não me preocupei em guardar.

Fica a história.

Cú do Padre

terça-feira, 22, julho 2008

Também conhceido como “Bar das Batidas”

O lugar é bem simples. Escondido numa esquina próxima ao Largo da Batata, em Pinheiros, virou lenda por causa das famosas batidas preparadas pelo dono, seu Narciso, ou Sócio, que é o apelido que ele levou por chamar todos os clientes assim.

Entrando no bar a primeira coisa que chama a atenção são os vários tipos de objetos espalhados pelo balcão e prateleiras. Tem um relógio parado, imagem de Nossa Senhora, uma máquina registradora e várias peças de provolone, já pretas de fuligem, igual as garrafas, com rótulos marrons de tão velhos. Fiquei imaginando o que já rolou por ali enqüanto olhava pras fotos e quadros pendurados na parede, entre as fotos de Gardel (!). Foi só quando vi o Sócio que pude ter uma idéia melhor de tudo o que é o lugar. Ele é o bar, os dois são uma coisa só, sei lá, entende? É como se ele tivesse em casa, e quando tu entra lá, ele te trata como se fosse de casa. Cheguei, pedi uma cerveja, e ele disse, com a maior naturalidade “pega lá, a geladeira tá ali, ó!”.

Mágico.

O lugar, como já disse, tem história. Gerações de estudantes passaram por lá, e ainda passam. Tenho amigos cujos pais beberam lá. Se bobear, o meu pai bebeu lá!

Mas é fato que esse lugar, o menor dos botecos vistiados até agora, tem muito mais do que pode enxergar essa minha breve e primeira análise. Garanto retornos pontuais a essa lenda, logo!

Ao Dix Bar

terça-feira, 22, julho 2008

Fechou. No lugar, abriu o restaurante Bom Gosto. E foi coisa recente, pelo que fiquei sabendo. O Dix fechou há mais ou menos um ano e o Bom Gosto abriu há quinze dias. A decoração toda mudou, tá tudo novinho em folha. Até os garçons são novos. O público, porém, continua o mesmo. Apareça lá pra um almoço e vai dar de cara com os agitados corretores da Bovespa, que levam o pregão junto pra todo lugar que vão.

E do Dix fica apenas a lembrança.

Metodologia e cronograma de atividades

sábado, 12, julho 2008

Segue aqui, como prometido, a metodologia de trabalho do projeto, quase inalterada desde sua concepção. O texto é o mesmo do pré-projeto que foi avaliado pela banca do magistrados.

Para atingir os objetivos do estudo, será realizado inicialmente um levantamento bibliográfico na leitura específica sobre elementos de design (como já apontado anteriormente), que fora do universo dos elementos visuais tradicionais do bar, agregam novos valores à identidade de determinado estabelecimento, tornando cada “boteco” único, como que lhe infundindo sua “alma própria”.
Num segundo momento, mediante especificidades do projeto, se faz necessária uma breve pesquisa histórica sobre os botecos da região apontada, para que se faça uma comparação e análise sobre suas características visuais. Aqui será traçado um perfil do que, em São Paulo, considera-se como um “boteco”, através dos vários elementos visuais, pertencentes ou não ao design, utilizados na construção do ambiente e presentes na rotina do bar.
Pelas características deste trabalho, trilharemos o caminho metodológico da pesquisa qualitativa, mediante o estudo de caso com ênfase na pesquisa-ação devido ao caráter participativo e intervencionista do estudo.
A pesquisa contará com observação, interpretação, classificação e síntese. Busca-se aqui, além de analisar os elementos visuais definidos na primeira fase, descobrir novos aspectos da caracterização do boteco que tenham escapado à bibliografia pesquisada. Para tanto, uma rotina de observação, análises, revisões e sínteses serão empregada, a fim de captar todos os detalhes que possam ser importantes para as fases seguintes e para o cumprimento dos objetivos. Visam estabelecer um embasamento teórico sobre a temática e subsidiar os conceitos fundamentais necessários para a análise de resultados.
Posteriormente, serão escolhidos botecos característicos de outras regiões da cidade de São Paulo, que serão estudados utilizando-se do mesmo método da fase anterior. Ao fim desta análise, será traçada a relação entre a identidade visual dos estabelecimentos dessas regiões com a dos estabelecimentos da Vila Madalena, e destes todos com a própria cidade de São Paulo. Essa relação se dará dentro dos termos analisados, explicitando e dissecando todos os aspectos da construção da identidade do boteco paulista por meio dos elementos que podemos classificar como pertencentes ao design.
Por fim, será feita a redação final da projeto, seguida pela elaboração do projeto gráfico e formatação final da apresentação da pesquisa.

O cronograma, porém, sofreu algumas alterações, algumas devido às dificuldades encontradas no início, outras foram mais questão de melhor organização de tarefas ou mudança de foco. Por exemplo, no início eu planejava todo um levantamento em campo sobre a Vila Madalena, com os mesmos objetivos do levantamento bibliográfico. Porém, sob forte recomendação da minha orientadora, mudei o objetivo e deixei os meses da pesquisa de campo apenas para os bares, para não arriscar perder o foco. Agora todo o levantamento sobre a região que trata de assuntos alheios aos botecos será feito por meio de pesquisa bibliográfica. Ainda sobre o campo, inicialmente o plano era focar na Vila, pesquisando todos os bares. Mas logo no início da pesquisa notei uma clara separação entre os bares antigos, clássicos e os mais recentes, o que mudou o foco de todo o projeto. Falarei mais sobre isso adiante, pois essa questão é um aspecto-chave do projeto atualmente. Enfim, segue o cronograma atual:

Etapa 1: Revisão bibliográfica e elaboração de critérios de pesquisa.
Pesquisa bibliográfica em publicações que tratam do assunto proposto na pesquisa, definição dos critérios e princípios de design a serem utilizados nas fases posteriores.

Etapa 2: Pesquisa de campo: Botecos tradicionais.
Pesquisa de campo nos botecos tradicionais de São Paulo. Nesta etapa serão visitados bares da cidade que por sua história ou características marcantes se tornaram ícones da cultura de botequim paulistana. Essas visitas servirão para uma observação prévia das características de cada lugar, que resultará, numa etapa posterior, nos critérios que serão seguidos para uma análise mais detalhada e a elaboração de uma pauta para entrevista com donos e gerentes dos estabelecimentos. Essa etapa servirá também para uma filtragem da quantidade de lugares a serem visitados, mantendo-se somente aqueles que tiverem maior relação com os objetivos do projeto.

Etapa 3: Pesquisa de campo: novos bares.
Pesquisa de campo nos novos botecos da cidade, com foco na região da Vila Madalena, seguindo os mesmos princípios da Etapa 2. Os bares a serem visitados serão selecionados, inicialmente, segundo estes critérios: 1.  Apresentar-se, na sua marca, ambientação ou comunicação, como boteco; 2. Ter sido fundado há aproximadamente 10 anos; 3. Possuir um projeto de design de identidade e espaço. Assim como na etapa anterior, será realizada uma filtragem dos bares aqui visitados para uma análise mais detalhada posteriormente.

Etapa 4: Pesquisa de campo: Botecos tradicionais (retorno).
Neste momento, os botecos selecionados durante a Etapa 2 serão novamente visitados, para uma análise detalhada de sua ambientação e outras características, visuais ou não, pertinentes ao design. Entrevistas com os donos, gerentes ou funcionários serão realizadas com o objetivo de descobrir como foi construído o espaço do bar e quais foram as soluções utilizadas e as transformações sofridas por esse espaço desde o nascimento do lugar até os dias atuais. Outro objetivo é situar o bar em relação a si próprio e à região onde está inserido dentro da cidade de São Paulo, traçando a ligação destes dois com a própria cidade, histórica, cultural, social e politicamente.

Etapa 5: Pesquisa de campo: novos bares (retorno).
Segunda visita aos bares selecionados durante a Etapa 3, com o mesmo foco de análise, adicionando as entrevistas com donos e, se, possível, o designer e/ou arquiteto responsável pelo projeto de identidade e construção do ambiente do bar, o que possibilitaria um maior detalhamento e aprofundamento no processo de construção dessa identidade.

Etapa 6: Redação final.
Redação final e revisão do texto.

Etapa 7: Formatação e projeto gráfico.
Desenvolvimento do projeto gráfico da apresentação final da pesquisa.

O objetivo da pesquisa de campo é estabelecer a ligação entre o que se entende por “boteco”, ou seja, a identidade construída e estabelecida por esses botecos tradicionais (e muitos outros que não sobreviveram até o presente momento) empiricamente, sem um planejamento ou projeto, e os novos bares, que constroem, por meio de um projeto de arquitetura e/ou design, toda uma identidade e uma ambientação que tenciona evocar uma atmosfera de nostalgia e que, invariavelmente acaba no retrô, em oposição aos antigos botecos, onde essa ambientação é autêntica, original.  Tornou-se, então, objetivo principal deste projeto analisar esses dois casos, da identidade construída pelos autênticos e a busca dos  novos por esse identidade. Há entre esses dois extremos um meio-termo, o caso dos bares que, mesmo fazendo parte deste grupo de novos, forma acolhidos pela região onde se estabeleceram e por seus freqüentadores, como botecos  propriamente ditos, estando assim, num lugar de destaque nesse cenário.

Zur Alten Mühle

quarta-feira, 2, julho 2008

A velha Taverna.

Madeira por todos os lados! Toda a casa é revestida de madeira, com mesas de mogno maciço, que, segundo eu soube, foram feitas pelo próprio fundador, o imigrante alemão Wilhelm Heying, que era dono de uma loja de móveis em Embu das Artes. As paredes são totalmente cobertas por madeira (minto, há um pedaço, de uns 3m² que é de pedra), que por sua vez são cobertos por quadros placas de madeiras com velhos ditados alemães, bandeirolas de times de futebol (todos alemães) e bolachas, muitas bolachas! As colunas e vigas dão um ar muito artesanal e rústico, rude até, com toda a intenção e propósito que pode caber nessa palavra. Parecem ter sido cortadas a machadadas, como uma velha casa lá dos cantos da Baviera (ou quem sabe da Boêmia, ou Bavária. Combinaria melhor, não?)

Curioso, acabei de reparar nas únicas coisas, poucas, aqui, que não parecem pertencer à Idade Média: duas televisões, das modernas mesmo, um luminoso da Paulaner, e os detectores de fumaça. Aliás, há também um rádio, escondido em algum lugar, assim como os alto-falantes, e que está sintonizado na Alfa FM.

Uma coisa da qual não consigo tirar os olhos são essas bolachas. São centenas! Algumas tão amarelas, tão velhas, que devem ser mais antigas que o próprio bar. E são do mundo todo, ou pelo menos da parte dele que as usa para acomodar seus copos. É tanta bolacha que eles as usam até como calço de mesa, num armário, e numa das televisões. Acima do balcão há outra coleção, a de latas. Novamente, latas de todo tipo, das mais variadas marcas, de vários lugares e muitos anos de história.

Perto da porta de entrada há um relógio, muito antigo, acompanhado de lustres curiosos. E são curiosos porque não são lustres de verdade, só que não lembro o que eles são. Quando voltar lá tiro uma foto e o primeiro que descobrir o que raios é aquilo me avise, ok? Há alguns de outros tipos, parecidos com tochas e outros mais que são velhas lamparinas de ferro, só que com lâmpadas ao invés de fogo😛

Há alguma coisa nas portas e janelas daqui que me chamam muito a atenção. São de madeira escura, maciça como a das mesas e colunas. Num dia frio, desses que o bar fica de portas fechadas, deve ser o mais perto possível de uma velha taverna de verdade. Só faltariam as caneconas de madeira, cerveja quente, e meia dúzia de Vikings. =D

Agora, depois de quatro cigarros e alguns chopes, fecho a primeira visita (oficial) da pesquisa de campo. Depois de amanhã tem a próxima, e no fim de semana mais seis. Se tudo correr como o planejado, ao final desse projeto estarei bebedor, barrigudo, falido e feliz!
=]

terça-feira, 1, julho 2008

Olá!

Eu sou Bob Nogueira, designer e estudante de design, e este blog faz parte do meu projeto de iniciação científica. O tema são os botecos de São Paulo, sua identidade e a relação desta com a identidade da própria cidade.

Explicando melhor: a pesquisa consiste em verificar por quais meios um estabelecimento se identifica ou é identificado como “boteco”. Que elementos caracterizam e criam essa associação? Quais desses elementos são mais buscados pelos bares atuais para evocar o conceito, a atmosfera de “boteco”?

Esse projeto tem duração de um ano e foi iniciado em março deste ano. Mas foi só agora que pensei que seria legal abrir um blog, pra que eu mesmo possa fazer um registro de tudo que acontece e pra que os outros (vocês) possam acompanhar a pesquisa, e me dar uns pitacos, sempre que tiverem a fim.

Nos próximos posts colocarei aqui a metodologia do trabalho, um resumo dos livros e textos lidos até o momento e em diante, entrevistas, conversas, descobertas e atendimentos, além, claro, de um texto sobre cada bar que for visitado, e dos roteiros de visitas aos bares, que vou tentar montar mensalmente.

Então, vamos seguindo. Pelos menos até março do ano que vem, quando termino o artigo final da pesquisa e começo meu trabalho final de graduação, que provavelmente vai dar as caras por aqui logo, logo. Se tudo correr como o planejado, temos um ano e meio pra trocar idéias, conhecer lugares, pensar e escrever muito.

É bom começar o quanto antes, então.
Mãos à obra!

Seeya!